cinema sob uma perspectiva contra-hegemônica

Gabriela Amaral Almeida voltar a trabalhar com Murilo Benício na cinema com Cão de Guarda: “Escrevi para ele”

Depois da parceria muito celebrada em “O Animal Cordial“, a cineasta Gabriela Amaral Almeida já tem planos de trabalhar com o ator Murilo Benício em outro longa-metragem: “Cão de Guarda”, seu primeiro road movie. A trama acompanha um detetizador que, após sofrer um acidente do qual sai aparentemente ileso, começa a perder sua capacidade de sentir. Os primeiros sinais deste efeito colateral surgem durante uma viagem de moto para deixar sua filha adolescente aos cuidados da sua ex-esposa. Conforme avançam pela estrada, seu instinto violento vai ficando cada vez mais agudo, a ponto de a jovem não reconhecer mais no pai sua humanidade.

Descrito pela diretora e roteirista como um “projeto do coração”, a fagulha para “Cão de Guarda” foi o desejo de Gabriela de voltar a colaborar com Benício. “Escrevi para ele”, conta a cineasta, que busca financiamento para tirá-lo do papel. “Murilo se tornou um amigo muito especial e é um ator de uma versatilidade e de uma entrega que poucas vezes vi. Além de ser uma pessoa divertidíssima com quem trabalhar”.

“Depois de termos feito ‘O Animal Cordial‘, combinei comigo mesmo que sempre que a Gabriela me chamasse, eu estaria lá”, afirma Benício, que não esconde sua admiração pela cineasta. “Quando li o roteiro de ‘Cão de Guarda’, pensei no quanto precisamos de diretores e roteiristas como ela. Sou só expectativa para esse projeto!”.

Como em ‘O Animal Cordial’ e nos demais projetos autorais de Gabriela, a violência é um fio condutor da narrativa. “É um tema que me interessa muito nas histórias que conto: o que a violência provoca na vida de uma pessoa supostamente funcional em uma sociedade? Como ela é contida e extravasada? Como ela bagunça as relações e a realidade dessa personagem?”, explica. “É como se violência fosse a caricatura das nossas pulsões, como se encenasse o humano, o primitivo”.

No caso deste filme, a cineasta quer voltar a jogar luz à dinâmica entre pais e filhos, mas a partir de uma nova perspectiva. “Através desse personagem, que perde sua capacidade de sentir afeto até pela filha, quero refletir sobre o momento em que um pai deixa de ser essa figura perfeita aos olhos de um filho e passa a ser um ser humano, com seus problemas e questões”, diz.

De quebra, “Cão de Guarda” ainda oferece para Gabriela a possibilidade de voltar a dirigir ação. “Acho que são nessas sequências que você descobre, como diretor, a potência da sua câmera. Fora que eu gosto muito do processo de coreografar as cenas de ação”, afirma. “Então, são muitos os fatores que me deixam empolgada com esse projeto!”.

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