Stellan Skarsgård falou sobre trabalhar com Ingmar Bergman e sobre a relação do diretor com o nazismo

O site Variety publicou declarações do ator Stellan Skarsgård sobre o diretor Ingmar Bergman no Festival de Cinema de Karlovy. “Minha relação complicada com Bergman tem a ver com o fato de ele não ser um cara muito legal. Ele era um diretor legal, mas ainda assim é possível denunciar alguém como babaca. Caravaggio provavelmente também era babaca, mas fez pinturas incríveis”, disse o ator sueco.
“Bergman era manipulador. Ele era nazista durante a guerra e a única pessoa que conheço que chorou quando Hitler morreu. Continuamos tentando desculpá-lo, mas tenho a impressão de que ele tinha uma visão muito estranha das outras pessoas. [Ele achava] que algumas pessoas não eram dignas. Você sentia isso quando ele manipulava os outros. Ele não era legal.”
O diretor também reconheceu seu apoio ao nazismo em seu livro de memórias de 1987, “A Lanterna Mágica”, onde escreveu: “Por muitos anos, estive ao lado de Hitler, encantado com seu sucesso e triste com suas derrotas”. E ele admitiu que “quando as portas dos campos de concentração foram abertas… minha inocência foi repentinamente arrancada”.
Bergman reconheceu ter visto Hitler pessoalmente em uma viagem em família a Weimar, Alemanha, em 1934, quando tinha 16 anos. “Hitler era incrivelmente carismático. Ele eletrizava a multidão”, disse Bergman à autora Maria Pia-Boethius (conforme relatado pela BBC), que escreveu um livro sobre o real significado da neutralidade da Suécia durante a guerra. E ele observou que sua família colocou uma foto de Hitler ao lado da cama do futuro diretor depois. “O nazismo que eu tinha visto parecia divertido e jovial.”
Vale ressaltar que Skarsgård parece dizer que o conjunto da obra de Bergman deve ser descartado da mesma forma que Cannes tentou descartar seu próprio colaborador de longa data, Lars von Trier — em 2011, Cannes declarou oficialmente von Trier “persona non grata” por se autodenominar nazista em uma coletiva de imprensa instantaneamente infame promovendo seu filme Melancolia. Skarsgård expressou uma aversão ao policiamento da linguagem em sua palestra.
“Todos naquela sala sabiam que ele não era nazista, que era o oposto, e ainda assim usaram isso como manchete. E então, as pessoas que só liam manchetes acharam que ele era nazista. Ele só contou uma piada de mau gosto. Lars cresceu com um pai judeu, e quando sua mãe estava morrendo, ela lhe disse que ele não era seu pai verdadeiro. Era o chefe dela, que era alemão”, disse o ator sueco em defesa de von Trier.

