cinema sob uma perspectiva contra-hegemônica

Distribuído pela Embaúba Filmes, Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá ganha trailer oficial

Novo filme de Sueli Maxakali retrata reencontro entre pai e filhas indígenas após quatro décadas de separação forçada pela ditadura militar

A Embaúba Filmes acaba de lançar o trailer do documentário Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá, dirigido por Sueli Maxakali, Isael Maxakali, Roberto Romero e Luisa Lanna. O filme acompanha a jornada de reencontro entre Sueli Maxakali e seu pai, Luiz Kaiowá, de quem foi separada ainda bebê durante a ditadura militar.

O longa lança luz sobre a violência do Estado contra os povos indígenas naquele período, capítulo da ditadura pouco retratado no cinema até então. “São memórias que o cinema nos dá uma chance de revisitar e que podem assim ser jogadas na cara do povo brasileiro de uma certa forma”, afirma o etnólogo e cineasta Roberto Romero em entrevista à Agência Brasil.

alado nas línguas maxakali, guarani kaiowá e português, o longa é atravessado pelos cantos tradicionais destes povos, enfocando também as lutas enfrentadas por eles em defesa de seus territórios e de seus modos de vida. As pesquisas e as filmagens também ocorreram nos territórios dos dois povos, contando com a participação de outros cineastas indígenas além da dupla Sueli e Isael — como Alexandre Maxakali, que atuou na fotografia do filme, e as realizadoras Michele Kaiowá e Daniela Kaiowá, responsáveis pela direção assistente e fotografia junto ao seu povo.

Comemorado em festivais e pela crítica, Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá tem se destacado como um expoente do cinema indígena contemporâneo. No 57º Festival de Cinema de Brasília, onde fez sua estreia em novembro de 2024, o longa levou o prêmio de melhor direção; já na 14ª Mostra Ecofalante de Cinema Socioambiental, em junho de 2025, recebeu menção honrosa do júri na categoria longa-metragem. Ele também foi exibido na Mostra de Cinema de Tiradentes e no X Festival de Documentários de Cachoeira. Em sua resenha sobre o filme, o Coletivo Crítico destaca a delicadeza e a originalidade formal do longa: “A imagem é crua, precária, mas transborda afeto e um caráter enigmático que cativa e é ímã ao espectador. Um porta-retrato se constrói diante dos nossos olhos para representar toda uma história familiar”. Já o Papo de Cinema afirma que o filme “marca uma tendência positiva do cinema brasileiro recente: histórias de alto valor para os povos indígenas contadas por eles mesmos, em parceria com realizadores sensíveis ao seu tempo, espaço e ritmo”.

SINOPSE
Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá conta a busca de Sueli Maxakali e Maísa Maxakali pelo pai, Luis Kaiowá, de quem foram separadas durante a ditadura militar no Brasil. O filme acompanha a jornada da cineasta para reencontrar o pai, bem como as lutas enfrentadas pelos povos indígenas Tikmũ’ũn e Kaiowá em defesa de seus territórios e modos de vida.