Longa integra a mostra Caleidoscópio e traz no elenco Rodrigo Sanches, Helena Ignez e Jean-Claude Bernardet, em seu último papel no cinema.

Nosferatu, novo longa-metragem do incansável cineasta Cristiano Burlan, fará sua estreia mundial na edição histórica de 60 anos do Festival de Brasília, que acontece entre os dias 12 e 20 de setembro. Releitura do mito fundador do cinema de vampiros, o longa de Burlan participará da mostra competitiva Caleidoscópio e tem Rodrigo Sanches, que colaborou com o diretor em A Mãe (2022) e Ulisses (2024), no papel-título.
Rodado em preto-e-branco, Nosferatu também marca o adeus ao crítico e pensador Jean-Claude Bernardet, que nos deixou em julho deste ano. Amigo pessoal de Burlan, Bernardet foi ator em vários trabalhos do cineasta. Fome (2015) lhe rendeu um prêmio especial no Festival de Brasília. A parceria continuou em Hamlet (2015) e Antes do Fim (2017), onde contracenou com a lenda do cinema brasileiro Helena Ignez, que também está no elenco do novo filme.

Cristiano Burlan explica que decidiu fazer uma versão livre do personagem-ícone do Expressionismo Alemão, permitindo que sua abordagem para o terror passasse pela angústia de alguém que vive em fuga e não consegue se livrar de fantasmas do passado e do presente. Com muitas cenas rodadas em cima de um palco, Nosferatu homenageia o teatro, a arte da representação, mas referencia a experiência de fazer cinema.
Produzido pela Bela Filmes, dirigida por Burlan e Henrique Zanoni, que também participa como ator, Nosferatu traz em seu roteiro canções originais de Edson Van Gogh e Jonnata Doll e trechos de obras de William Shakespeare, Virginia Woolf e Silvina Ocampo. O filme foi feito em coprodução com Gaia KI, Sapopemba Filmes e CultSP.

SINOPSE
Nosferatu chega a uma nova cidade carregando mais do que sua maldição — ele carrega os ecos de um passado que se recusa a morrer. Perseguido incansavelmente por Van Helsing, o vampiro mergulha em um cenário sombrio e decadente, onde as fronteiras entre realidade, delírio e representação se embaralham. A cidade, com seus teatros em ruínas e ruas envoltas em névoa, se torna palco de uma dança fúnebre e simbólica, em que cada passo aproxima Nosferatu de seu próprio abismo interior.
Assombrado por lembranças, visões e figuras fantasmagóricas, ele busca obsessivamente por uma atriz — uma mulher que talvez represente a redenção, o amor perdido ou apenas mais uma ilusão. Enquanto tenta se reconectar com algo que o torne humano novamente, é confrontado pelo peso da eternidade, pela dor de uma existência imortal marcada pela solidão, pelo vazio e pela repetição dos mesmos gestos, das mesmas tragédias.
Nesta jornada hipnótica e metafórica, Nosferatu não enfrenta apenas Van Helsing, mas também a si mesmo — sua memória, seus erros e o terror de nunca morrer. Uma fábula sombria sobre o tempo, o desejo e a decadência da alma.
SOBRE O CINEASTA
Cristiano Burlan nasceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, mas se mudou para São Paulo ainda criança. Depois de uma temporada entre Marselha, na França, e Barcelona, na Espanha, onde dirigiu o Grupo de Cinema Experimental Super-8, voltou ao Brasil e passou a se dedicar ao teatro e ao cinema, dirigindo ficções e documentários. Seu primeiro longa foi Corações Desertos (2006).
Entre suas obras mais importantes está a Trilogia do Luto — Construção (2007), Mataram Meu Irmão (2013) e Elegia de um Crime (2018), documentários em que lida com as mortes de seu pai, de seu irmão e de sua mãe. Mataram Meu Irmão é um de seus filmes mais premiados: ganhou o É Tudo Verdade, o prêmio de melhor documentário no Festival Sesc de Melhores Filmes e o Prêmio do Governador do Estado de São Paulo.
Dirigiu, entre outros, Hamlet (2015), Fome (2015) e Antes do Fim (2017) e também foi professor e coordenador de cursos de cinema. Em 2022, A Mãe lhe rendeu o prêmio de melhor direção no Festival de Gramado. Em Nosferatu, Burlan retoma sua pesquisa estética unindo o imaginário do horror a uma reflexão existencial e poética. Com seu sócio Henrique Zanoni, Burlan fundou a Bela Filmes, que produz seus trabalhos e filmes de outros cineastas, e a companhia teatral Cia dos Infames, cuja proposta é trabalhar com textos ligados à filosofia e poesia nas fronteiras do teatro e cinema.
FICHA TÉCNICA
Direção: Cristiano Burlan
Produção: Cristiano Burlan, Natália Reis, Rodrigo Sanches
Roteiro: Cristiano Burlan, Emily Hozokawa, Fernanda Farias, Rodrigo Sanches
Produção Executiva: Ana Carolina Marinho
Direção de Fotografia: Cauê Angeli
Montagem: Cristiano Burlan, Lincoln Péricles, Renato Maia
Finalização de Cor / VFX: Lucas Negrão
Desenho, Edição e Mixagem de Som: Ricardo Zollner
Direção de Arte e Cenografia: Mariko Ogawa, Seiji Ogawa
Figurino: Mariana Cypriano
Maquiagem e Caracterização: Ana Paula Damaceno
Som Direto: Renato Maia
Trilha Sonora Original: Gabriel D’Incao, Pedro D’Incao
Canção Original: Edson Van Gogh, Jonnata Doll
Ano e país de produção: Brasil, 2025
Duração: 87 min

