Filme de Clarissa Campolina e Sérgio Borges estreia em 11 de setembro nos cinemas. Obra é uma jornada de busca e pertencimento em meio a uma natureza impactada pela mineração

O filme Suçuarana, dirigido por Clarissa Campolina e Sérgio Borges e produzido pela Anavilhana, cuja estreia mundial ocorreu na 60ª edição do Festival Internacional de Cinema de Chicago, integra a mostra Cinema, Mineração e Meio Ambiente, e será exibido no dia 26 de julho de 2025, às 20h, na Sala 3 do Reserva Cultural, em São Paulo. O filme ganha as salas de cinema nacionais em 11 de setembro, distribuído pela Embaúba Filmes.
A mostra Cinema, Mineração e Meio Ambiente apresenta ao público documentários e ficções que questionam o custo humano e ecológico da extração mineral, promovendo reflexão e debate sobre os impactos da mineração. A mostra, que tem entrada gratuita, é uma realização do Instituto Camila e Luiz Taliberti.

Suçuarana é o nome de um lugar mítico, uma paisagem que aparece na foto desbotada que Dora carrega consigo. Na estrada há muito tempo, pegando carona por uma região devastada pela mineração, ela segue em busca dessa terra prometida sonhada por ela e por sua mãe. Mas ninguém parece conhecer este lugar, aparentemente perdido no tempo. Dora faz da estrada o seu lar, mas a solidão errante parece ser ainda mais desafiadora para uma mulher viajando sozinha. Nessa vida em movimento, a generosidade de estranhos é por vezes subitamente eclipsada pelo perigo. Após um acidente, a andarilha busca refúgio em uma fábrica abandonada, onde encontra um grupo de trabalhadores vivendo em uma vila. Nessa vida coletiva, experimenta conforto e acolhimento, mesmo que seja por apenas um instante, pois não existe permanências em Suçuarana. Nas deambulações e encontros de Dora, o realismo mágico se infunde ao road movie, e tudo parece etéreo. Ansiando por um sentimento de pertencimento que parece estar sempre fora de alcance, Dora é uma mulher com gosto pela liberdade.

O filme acompanha uma mulher que busca seu lugar no mundo e também aborda questões contemporâneas importantes, como a destruição da natureza pela mineração, a fragilidade dos laços comunitários e a busca por sentido em um mundo já saturado. As diferentes formas de vida, enraizadas na tradição e nas tecnologias da ancestralidade emergem como resistência e pertencimento em meio a um cenário hostil.
Ao longo da jornada de Dora, o espectador é convidado a refletir sobre a relação do ser humano com a natureza e os sistemas de vida comunitária que resistem às lógicas capitalistas.

Ao falarem sobre o processo criativo de Suçuarana, os diretores explicam que o filme foi livremente inspirado no romance A Fera na Selva, de Henry James. “Durante o desenvolvimento, nossa intenção foi preservar o mistério e a sensação de busca que o romance evoca, mas adaptando essa jornada ao nosso contexto social e geográfico”, comentam. A dupla destaca que a obra é dividida em duas partes distintas, que se complementam estética e narrativamente. A primeira metade do filme, gravada em digital com uma estética de road movie, captura a jornada errante de Dora pelas paisagens devastadas pela mineração. Nesse trecho, a câmera permanece inquieta, sempre em busca de algo, refletindo a própria inquietação da protagonista. Já na segunda metade, o tom muda. Ao encontrar a comunidade na montanha, Dora é envolvida em uma atmosfera de acolhimento, e a estética do filme torna-se mais contemplativa, com planos mais longos e imersivos, explorando as dinâmicas do trabalho coletivo e da convivência.

SINOPSE
Dora passou os últimos anos percorrendo um território arruinado pela mineração, em busca de uma terra perdida sonhada por ela e por sua mãe. Carrega consigo uma foto antiga com o nome Suçuarana, única pista desse lugar mítico onde ela imagina que possa encontrar pertencimento. Guiada por um misterioso cachorro, encontra refúgio em uma vila de trabalhadores de uma fábrica abandonada, que vivem em coletividade. A cada novo encontro, seu destino parece sempre um pouco mais distante.
FICHA TÉCNICA
Brasil, cor, 85′, ficção, 2024
Direção: Clarissa Campolina, Sérgio Borges
Roteiro: Clarissa Campolina, Rodrigo Oliveira
Produção: Luana Melgaço
Produção executiva: Luana Melgaço, Mariana de Melo
Coordenação de produção executiva: Mariana Mól
Elenco: Sinara Teles, Carlos Francisco, Tony Stark, Guarda de Moçambique Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia de Ouro Preto, Hélio Ricardo, Andréia Quaresma, Elba Rocha, Rafael Botero, Docy Moreira, Kelly Crifer, Amora Ferreira Giorni, Lenine Martins
Fotografia: Ivo Lopes Araújo
Direção de arte: Thaís de Campos
Figurino: Marina Sandim
Som direto: Gustavo Fioravante
Desenho e mixagem de som: Pablo Lamar
Trilha sonora original: Ajítenà Marco Scarassati, Djalma Corrêa
Direção de produção: Luna Gomides
Direção assistente: Paula Santos
Montagem: Luiz Pretti
Colorista: Lucas Campolina
SOBRE OS CINEASTAS
Clarissa Campolina atua como diretora, roteirista, editora, produtora e professora. Seu longa-metragem de estreia, Girimunho (2011), foi premiado no Festival de Veneza, e também exibido no TIFF, San Sebastian, e em mais de 50 festivais. Seus curtas-metragens e outros longas – Enquanto Estamos Aqui (2019) e Canção ao Longe (2022) – também foram exibidos em festivais de cinemas prestigiados ao redor do mundo, como Rotterdam, Locarno, BAFICI, Marrakech, RIDM, Art of the Real. Em 2015, o DAAD – Kunstelerprogramm realizou uma retrospectiva de seu trabalho no Arsenal Cinema (Berlim, Alemanha). Em 2017, foi selecionada para residência artística no programa MacDowell Colony Residency, New Hampshire, EUA.
Sérgio Borges trabalha como diretor, roteirista e produtor. Os seus filmes foram exibidos e premiados em diversos festivais como: Rotterdam, Locarno, San Sebastian, BAFICI, FID Marseille, Leipzig, Indie Lisboa, Havana, Brasília, Rio de Janeiro, Tiradentes, entre outros. O Céu Sobre os Ombros (2010) teve sua estreia internacional na competição Tiger Awards em Rotterdam. Ganhou prêmios no 43º Festival de Brasília – melhor filme, direção, montagem, roteiro e prêmio especial do júri (elenco), e melhor filme no 29º IFF Uruguai, entre outros. Lutar, Lutar, Lutar (2021) estreou em Rotterdam e foi o documentário mais assistido dos cinemas brasileiros em 2021. A Torre (2019) estreou no IFF Rio de Janeiro, foi lançado nos cinemas comerciais brasileiros.

